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Resistir a Todas as Tentações do Diabo

Élder W. Rolfe Kerr
Do Primeiro Quórum dos Setenta
Serão do Sistema Educacional da Igreja para os Jovens Adultos Solteiros • 5 de fevereiro de 2006 • Universidade Brigham Young

Élder W. Rolfe KerrVocês se reuniram aqui no campus da Universidade Brigham Young e em muitos outros locais espalhados por todo o mundo esperando ouvir o Élder M. Russell Ballard do Quórum dos Doze Apóstolos. Sinto desapontá-los, mas o Élder Ballard não pôde estar aqui com vocês, e eu tive a honra de ser convidado a substitui-lo. Ele gostaria de estar aqui e posso assegurar-lhes que eu também gostaria que ele estivesse. Repito que me sinto honrado com o convite para substitui-lo.

Nesta noite, faz exatamente 50 anos que eu estava a bordo de um enorme e belo transatlântico que se aproximava do porto de Southampton, na Inglaterra. Eu estava para começar minha missão nas Ilhas Britânicas. Naquela época, os missionários viajavam de navio para o exterior, em vez de fazê-lo de avião. Acho que, na época, Santos Dumont já voara no 14 Bis, mas mesmo assim, faz muito tempo.

Quero que saibam que adorei minha missão. Ela significou muitíssimo para mim naquela época e ao longo dos anos continuou a ser o símbolo de inúmeras coisas boas em minha vida. A solidificação do meu testemunho foi uma das maiores bênçãos da minha missão. Eu tinha o que considerava ser um testemunho forte antes de ser chamado para a missão, mas ao ensinar e prestar testemunho da verdade divina, esse testemunho cresceu tanto dentro de meu coração e alma a ponto de dar-me alento em todas as situações difíceis. Não sei o que faria sem o evangelho. Serei eternamente grato por minha missão, por meu testemunho e pelo escudo de proteção que senti graças à minha fé no Salvador. Esse escudo de fé foi uma proteção espiritual e moral para mim ao longo dos anos.

Fé em Jesus Cristo: Nossa Melhor Defesa contra a Tentação

Isso me conduz à idéia central que gostaria de transmitir-lhes esta noite. No Livro de Mórmon lemos o conselho e as instruções de Alma a seu filho Helamã. Entre outras coisas, ele admoestou Helamã a “(...) [ensinar às pessoas] um ódio eterno contra o pecado e a iniqüidade”. Pediu-lhe: “Prega-lhes arrependimento e fé no Senhor Jesus Cristo; (...)”. Agora ouçam isto! Alma disse: “(...) Ensina-os a resistirem a todas as tentações do diabo, com sua fé no Senhor Jesus Cristo” (Alma 37:32–33). Percebem o significado e a força que há nisso para vocês, na verdade para todos nós?

Alma prosseguiu suas instruções a Helamã, dizendo: “Ensina-os a nunca se cansarem de boas obras, mas a serem mansos e humildes de coração; pois esses acharão descanso para sua alma.

Oh! lembra-te, meu filho, e aprende sabedoria em tua mocidade; sim, aprende em tua mocidade a guardar os mandamentos de Deus! (...)

Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele dirigir-te-á para o bem” (Alma 37:34, 35). Esse conselho é maravilhoso e é adequado para todos nós, jovens ou velhos.

A melhor e mais segura defesa que temos contra as tentações do diabo é nossa fé no Salvador, nossa fé em Seu grande sacrifício expiatório, nossa fé no evangelho de Jesus Cristo e testemunho dele. Com a fé e o testemunho firme e conscientemente alicerçados, os dardos inflamados do maligno não conseguirão e nem poderão ferir nossa alma. Saliento que precisamos ter a fé e o testemunho não apenas firmemente alicerçados, mas conscientemente também. Se estivermos conscientemente pensando no Salvador, não permitiremos que as tentações nos vençam. Mais importante, se vocês tiverem o Salvador e sua fé Nele firme e conscientemente alicerçados na mente e coração, não se permitirão nem mesmo entrar em situações em que haja tentações. Em outras palavras: Permitam que a sua fé em Cristo os mantenha fora do território do diabo. Quando necessário, permitam que a sua fé em Cristo lhes propicie uma experiência semelhante à de José do Egito. Vocês devem lembrar-se de José, que foi vendido para o Egito e se tornou o servo favorecido de Potifar, o capitão da guarda do faraó. A mulher de Potifar tinha intenções impuras em relação a José. Mas José rápida e terminantemente recusou e rejeitou a aproximação dela, dizendo: “ (...) Como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” Ela insistiu em suas intenções, e as escrituras dizem que José fugiu e “saiu para fora” daquela situação tentadora. Ele resistiu às tentações do diabo, sim, com sua fé no Senhor Jesus Cristo (ver Gênesis 39:7–12).

As crianças das escolas fundamental e primária em todo o mundo aprendem estes elementos básicos e essenciais: a leitura, a escrita e a matemática. São os chamados elementos básicos, ou “os 3 Rs” em inglês. Todos aprendemos a ler, a escrever e a resolver problemas básicos de matemática. Ao pensar nas doutrinas básicas e essenciais que alicerçam minha fé, outra vez, penso em “três Rs”: a Ressurreição, a Revelação e a Restauração. Nessas coisas aprendemos muito do que o Senhor deseja que tenhamos e transmitamos ao mundo. Nelas aprendemos sobre o Salvador Jesus Cristo e Sua Expiação. Nelas aprendemos como Deus Se comunica conosco por intermédio de Seus servos escolhidos. Nelas aprendemos sobre o Profeta Joseph Smith e a Restauração do evangelho. Embora essas três coisas não incluam todas as maravilhosas e esclarecedoras doutrinas do evangelho, nelas podemos encontrar a base de uma fé que pode fortalecer-nos de modo a resistirmos a todas as tentações do diabo. Foram escritos muitos livros sobre a Ressurreição, as revelações e a Restauração. É claro que, aqui hoje, só posso tratar dessas três coisas superficialmente. Acompanhem-me e pensem, visualizando, como seria ter essas verdades doutrinárias arraigadas com tanta firmeza e de modo tão consciente em sua mente e coração que elas proporcionassem uma defesa segura contra o mal.

A Ressurreição

A doutrina da Ressurreição é tão antiga quanto os alicerces do mundo. Ela foi e é uma parte essencial do plano de felicidade do Pai Celestial. O Senhor ensinou a Moisés o Seu plano que incluía a Criação, a Queda e a Expiação. Ele disse, entre muitas outras coisas: “Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem” (Moisés 1:39). Fazia parte do plano o homem ser redimido da Queda pelo sacrifício expiatório do Salvador Jesus Cristo. Em decorrência da Queda de Adão vieram a morte física e a espiritual, não apenas para Adão e Eva, mas para toda a humanidade. Por meio da Expiação de Jesus Cristo veio a gloriosa promessa de ressurreição dos mortos para todos os que viveram ou que ainda viverão nesta Terra. O Apóstolo Paulo escreveu: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.

Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:20–22).

A morte física, como todos nós sabemos, é a separação do corpo e do espírito. A morte espiritual é a separação de nosso espírito da presença de Deus por causa do pecado. A dádiva da Ressurreição concedida pelo Salvador remove os efeitos duradouros da morte física. Assim, a imortalidade do homem foi oferecida como dádiva gratuita e incondicional, pela graça de Cristo. Todos ressuscitaremos. Imortalidade significa viver para sempre; ao passo que vida eterna significa viver para sempre na presença de Deus. Alcançar a vida eterna e vencer os efeitos da morte espiritual também são dádivas de Cristo, mas essa dádiva é condicional, exigindo fidelidade e obediência de nossa parte. O Élder Neal A. Maxwell disse: “A gloriosa Expiação de Jesus é o acontecimento mais importante de toda a história humana! Ela proporciona a Ressurreição universal e possibilita que nos arrependamos e sejamos perdoados. (...)

Cristo concedeu-nos gratuitamente uma dádiva imensa e incondicional: A Ressurreição universal. No entanto, a outra dádiva que Cristo nos oferece, o dom da vida eterna, é condicional. (...) Ele estabelece os termos para o recebimento dessa grande dádiva” (Neal A. Maxwell, A Liahona, abril de 2002, pp. 7, 8–9).

O Presidente Joseph Fielding Smith disse: “A Expiação de Jesus Cristo é de natureza dual. Por causa dela, todos os homens são redimidos da morte e da sepultura, e se levantarão na ressurreição para a imortalidade da alma. Então novamente, pela obediência às leis e ordenanças do evangelho, o homem receberá remissão dos pecados individuais, por meio do sangue de Cristo, e herdará exaltação no reino de Deus, a qual é vida eterna” (Doutrinas de Salvação, volume 1, p. 134).

Aqueles que sofreram lesões mutiladoras ou que nasceram com deficiências encontram consolo nas maravilhosas promessas da Ressurreição. Ouçam as palavras consoladoras do Livro de Mórmon: “Ora, existe uma morte que é chamada morte física; e a morte de Cristo desatará as ligaduras dessa morte física, para que todos se levantem dessa morte física.

O espírito e o corpo serão reunidos em sua perfeita forma; os membros e juntas serão reconstituídos em sua estrutura natural” (Alma 11:42–43).

“... e todo membro e junta serão restituídos ao seu corpo; sim, nem mesmo um fio de cabelo da cabeça será perdido, mas todas as coisas serão restauradas na sua própria e perfeita estrutura” (Alma 40:23). Até alguns de nós que têm deficiências menores ficam contentíssimos com esse versículo.

“(...) a expiação efetua a ressurreição dos mortos; e a ressurreição dos mortos devolve os homens à presença de Deus; e assim são restituídos a sua presença (...)

E assim Deus realiza seus grandes e eternos propósitos, que foram preparados desde a fundação do mundo. E assim ocorre a salvação e a redenção dos homens (...)” (Alma 42:23, 26).

Ao descrever as bênçãos que a Ressurreição proporciona, o Presidente Joseph Fielding Smith disse que a ressurreição salva o homem do demônio: “A imortalidade da alma é o dom de Deus através da morte e ressurreição de Seu Filho Jesus Cristo. Não houvesse o Salvador morrido pelo mundo, o homem permaneceria em seus pecados. Não poderia haver ressurreição da morte, e o corpo físico iria para a sepultura sem redenção, enquanto o espírito se tornaria eternamente sujeito ao demônio e seus anjos” (Doutrinas de Salvação, vol. 2, p. 280).

A ressurreição não apenas nos salva do diabo nas eternidades, mas nossa fé firme e consciente no Salvador e em Seu sacrifício expiatório pode salvar-nos do diabo em nossa vida diária. Pergunto-lhes se isso os ajuda a compreenderem a relação entre a doutrina da ressurreição e o conselho das escrituras de “[resistirmos] a todas as tentações do diabo com [nossa] fé no Senhor Jesus Cristo”.

Há vários anos, uma boa moça veio procurar-me, como seu presidente de estaca. Estava preocupada com alguns desafios que enfrentava na época. Ela disse: “Presidente Kerr, é muito difícil ser santo dos últimos dias”. Conversamos sobre os motivos por que ela sentia isso. Nossa conversa dirigiu-se de modo bem natural ao Salvador e Seu sofrimento por todos nós. Falamos de Sua Ressurreição e de suas implicações para nossa vida aqui e na eternidade. Falamos então sobre a explicação que o Salvador deu a alguns de Seus seguidores sobre o que era esperado deles como discípulos. Lemos nas escrituras que alguns achavam que as exigências do discipulado eram pesadas demais e se afastaram do Salvador, deixando de andar com Ele (ver João 6:66). A jovem ficou calada por alguns momentos, e então, com lágrimas nos olhos, disse: “Oh, eu não poderia fazer isso”. Quando sugeri que existe mais de uma maneira de afastar-nos do Salvador, uma luz pareceu acender em sua mente e coração. Ela disse: “Posso agora ver que se eu realmente amar meu Salvador e O mantiver em minha mente e coração, jamais poderei trair Sua confiança”. Depois, ela disse: “Quero corrigir o que eu disse quando começamos esta conversa. Sei agora que seria muito difícil não ser santo dos últimos dias”.

Revelação Contínua

Vejamos agora a doutrina da contínua revelação divina. O Senhor disse: “E também eu vos darei um modelo em todas as coisas, para que não sejais enganados; porque Satanás está solto na terra, enganando as nações” (D&C 52:14). Um elemento essencial no padrão do Senhor para “todas as coisas” é a certeza de termos profetas, videntes e reveladores vivos recebendo revelação divina para guiar e dirigir a Igreja hoje em dia. A revelação e inspiração pessoais estão ao alcance de cada um de nós por meio do Santo Espírito, mas não estou falando dessa forma de revelação. Refiro-me à revelação por intermédio de profetas vivos para toda a Igreja.

Enquanto servia na Missão Britânica, tive a bênção de ensinar muitas pessoas que amavam a Bíblia e confiavam profundamente em sua mensagem divina. Ao ensinarmos a doutrina da revelação contínua, muitos reagiram com alegria e assombro — alegria por saberem que Deus estava falando novamente por intermédio de profetas escolhidos, mas assombro por não terem ouvido esse princípio divino ensinado em suas próprias igrejas. Aprenderam que a revelação contínua não apenas era a fonte da verdade divina, mas também a principal fonte das escrituras. O registro e aceitação de novas verdades reveladas como escrituras foi um problema para aqueles que acreditavam que a Bíblia era a única fonte de toda a palavra de Deus. Mas os sinceros de coração aceitaram a doutrina da revelação contínua e novas escrituras como condizentes com o padrão bíblico no qual acreditavam mas não tinham compreendido plenamente.

O Élder Mark E. Petersen, que serviu por muitos anos como membro do Quórum dos Doze Apóstolos, descreveu o significado da revelação para toda a Igreja quando disse: “É um sinal infalível da Igreja verdadeira haver nela profetas vivos escolhidos para guiá-la, homens que recebem revelação atual de Deus e cujas obras escritas se tornam novas escrituras.

Também é um sinal infalível da Igreja verdadeira o fato de ela produzir novas escrituras adicionais a partir da ministração desses profetas. Esse padrão infalível de Deus está claramente manifesto em Seu modo de agir para com Seu povo, desde o princípio”(Conference Report, abril de 1978, pp. 95–96; ou Ensign maio de 1978, pp. 62). Acho que o Élder Petersen apreendeu profundamente a mensagem da revelação contínua.

O Senhor revela Sua vontade a Seus profetas, videntes e reveladores escolhidos. Quando o Senhor os inspira a ensinar o que receberam, as pessoas são abençoadas com conhecimento divino transmitido por meio dessas revelações. A verdade revelada é registrada, e no momento certo e na infinita sabedoria do Senhor, algumas dessas revelações podem ser formalmente acrescentadas ao cânone de escrituras.

A doutrina da revelação contínua, com as escrituras novas resultantes, é um aspecto característico da Restauração. Ela descreve o próprio processo pelo qual ocorreu a Restauração. Amós, no Velho Testamento, disse: “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).

A Restauração do evangelho de Jesus Cristo foi o resultado de muitas revelações enviadas dos céus. Essas revelações foram dadas, em sua maioria, a um profeta moderno que foi escolhido, preparado e ordenado para esse divino propósito. Nossa mensagem para o mundo inteiro é que Joseph Smith foi esse profeta escolhido. É nosso testemunho que Deus falou novamente, e ainda está falando, revelando Seu segredo aos Seus servos, os profetas vivos.

Um testemunho dessa verdade é extremamente reconfortante e nos proporciona uma confiança sem fim na voz profética que temos a bênção de ouvir e ler regularmente.

Um dos pontos marcantes de minha missão foi minha experiência pessoal com a doutrina da revelação. Ao examinar as escrituras diariamente em meu empenho de preparar-me para ensinar as pessoas, fiquei admirado com as revelações dadas pelo Senhor tanto no passado como no presente. Geralmente não costumo questionar as coisas, mas gosto de examinar as provas encontradas nas escrituras e na lógica das crenças que aprendi pelo estudo e pela fé. Por algum tempo, meu estudo das escrituras concentrou-se em uma premissa lógica que eu tinha formulado em minha mente. Pensei: “Se o que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias afirma a respeito da revelação é verdade, os meios pelos quais o Profeta Joseph Smith recebia revelações devem ser condizentes com os meios pelos quais os profetas e apóstolos do Velho e do Novo Testamentos as recebiam”. Vocês entendem essa premissa? Eu precisava saber que essa consistência existia: a consistência entre as revelações modernas e como elas ocorreram e a maneira como ocorreram as revelações nos tempos antigos.

Hoje, o tempo não me permite descrever tudo que encontrei nessa pesquisa, mas gostaria de dizer-lhes que o padrão do Senhor ficou bem claro. As revelações são dadas aos profetas de modo muito coerente. Esses meios podem ser descritos e definidos com uma terminologia diferente ou podem ser divididos ou agrupados de vários modos, mas há um padrão bem distinto. Identifiquei cinco meios muito específicos pelos quais foram dadas revelações aos profetas de Deus. Descobri vários exemplos de cada um deles nas escrituras. Esse padrão é encontrado constantemente em todas as escrituras, antigas e modernas. Talvez em outra ocasião eu possa falar dos cinco modos de revelação e mostrar-lhe esse padrão constante nas escrituras antigas e nas modernas.

O conhecimento dessa gloriosa verdade fortaleceu minha fé naquela época e continua fortalecendo-a até hoje. Saber que temos um profeta vivo que recebe revelações de Deus tal como Abraão, Moisés, Isaías, Pedro, Paulo e outros é imensamente reconfortante.

Todos vocês precisam adquirir seu próprio conhecimento e testemunho desse princípio divino. Mas podem confiar no testemunho que lhes presto hoje. Agora mesmo, vocês podem alicerçar firme e conscientemente em sua mente a certeza e convicção de que Deus está falando hoje a Seus profetas escolhidos e vivos como o fez no passado. Um testemunho da doutrina da revelação contínua fortalecerá sua fé no Senhor Jesus Cristo e, portanto, sua resolução de resistir a todas as tentações do diabo.

Se enfrentarem um momento de forte tentação, obriguem-se a pensar no Presidente Gordon B. Hinckley. Pensem nele como um profeta, vidente e revelador que recebe revelação diretamente do Senhor para a Igreja. Pensem na revelação que ele recebeu sobre a construção de pequenos templos no mundo inteiro, tornando as sagradas bênçãos do templo disponíveis a um número ainda maior de membros da Igreja. Permitam que o pensamento consciente em um profeta vivo que recebe revelações atuais sobre os templos sagrados afaste vocês do momento de tentação e preserve sua dignidade para receberem essas sagradas bênçãos do templo. Na verdade “...cremos em tudo que Deus revelou, em tudo que Ele revela agora e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandes e importantes relativas ao Reino de Deus” (Regras de Fé 1:9).

A Restauração do Evangelho

Falamos sobre a Ressurreição e a revelação, e espero que tenham ponderado profundamente essas coisas. Passemos agora à Restauração. Estamos aqui por causa da Restauração. Embora um conhecimento básico da Ressurreição e da revelação possa ser adquirido nas escrituras antigas, a maior parte do que sabemos dessas doutrinas importantes foi graças à Restauração do evangelho por intermédio do Profeta Joseph Smith. A mensagem da Restauração é que Deus vive, Jesus é o Cristo Vivo, o evangelho foi restaurado na Terra em sua plenitude, Joseph Smith foi e é realmente um profeta moderno de Deus, Gordon B. Hinckley é o profeta vivo atualmente e o Livro de Mórmon é a palavra de Deus, sendo hoje e para sempre um companheiro da Bíblia nas mãos do Senhor.

Não haveria necessidade de uma restauração da verdade sem ter havido antes uma perda da verdade, que ocorreu poucos anos depois do ministério terreno do Salvador. Essa perda da verdade, conhecida como a Grande Apostasia, foi vista e predita pelos profetas do Velho e do Novo Testamentos. O Senhor estabeleceu Sua Igreja em toda a sua pureza e concedeu o santo sacerdócio a Seus discípulos. Não é o momento de detalharmos as causas e conseqüências da Apostasia e da perda do sacerdócio, mas até uma análise bem superficial da história religiosa confirmará sua realidade. O profeta Amós, do Velho Testamento, profetizou a respeito dessa perda da verdade. Ele disse: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.

E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão” (Amós 8:11–12).

Pouco depois da ascensão do Salvador ao céu, Pedro previu a Restauração. Ele disse: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor,

E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado.

O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio” (Atos 3:19–21).

Falando sobre a Segunda Vinda do Salvador, o Apóstolo Paulo escreveu: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia” (II Tessalonicenses 2:3). Sabia-se que haveria tanto uma apostasia como uma restauração antes da Segunda Vinda.

Essas profecias e muitas outras não mencionadas foram realmente cumpridas, e somos os beneficiários das grandes bênçãos que fluem da mão do Senhor em nossa vida. O Presidente Hinckley disse: “Esta é a época da restituição. Estes são os dias da restauração mencionada claramente na Santa Bíblia e com grande vigor por Pedro e pelo Apóstolo Paulo. Repito que fazemos parte do cumprimento de uma profecia, o plano divino do Deus do céu, de que haveria uma apostasia e de que seria necessária uma restauração” (“Pensamentos Inspiradores”, A Liahona, junho de 2004, p. 4).

A restauração de todas as coisas predita pelos antigos profetas de Deus realmente aconteceu pelo ministério e manifestações celestes de Deus, o Pai, e de Seu Filho, Jesus Cristo; de Pedro, Tiago e João, João Batista, Moisés, Elias, o profeta, Morôni e outros antigos profetas do Senhor. Joseph Smith foi preordenado a seu sagrado papel como instrumento por meio do qual Deus levaria a efeito a Restauração do evangelho nesta, a dispensação da plenitude dos tempos. O próprio Salvador prestou testemunho dessa verdade. Ele disse: “Portanto eu, o Senhor, conhecendo as calamidades que adviriam aos habitantes da Terra, chamei meu servo Joseph Smith Júnior e falei-lhe do céu e dei-lhe mandamentos;

(...) para que se cumprisse o que foi escrito pelos profetas (...)

Para que a fé também aumente na Terra;

Para que o meu eterno convênio seja estabelecido;

Para que a plenitude do meu evangelho seja proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da Terra e perante reis e governantes” (D&C 1:17–18, 21–23).

O que mais pode ser dito? É o testemunho do próprio Salvador a respeito do Profeta Joseph Smith! Ele, do céu, falou a Joseph e deu-lhe mandamentos. Perceberam também esta frase? “Para que a fé também aumente na Terra.” A Restauração do evangelho é uma proteção para nossa fé em nossa luta contra os desígnios do maligno. É minha oração que vocês guardem essas verdades firme e conscientemente em sua mente e coração. Rogo a vocês, como o rei Benjamim rogou a seu povo ao dizer: “Portanto quisera que fôsseis firmes e inamovíveis, sobejando sempre em boas obras, para que Cristo, o Senhor Deus Onipotente, possa selar-vos como seus, a fim de que sejais levados ao céu e tenhais salvação sem fim e vida eterna por meio da sabedoria e poder e justiça e misericórdia daquele que criou todas as coisas (...)” (Mosias 5:15).

Conclusão

Gostaria de encerrar resumindo uma citação do Presidente Hinckley: “Esta é a obra sagrada de Deus. É divina em sua origem e doutrina. Jesus Cristo, [o Senhor e Salvador ressuscitado], está à frente. Ele é o nosso Salvador e Redentor imortal. A revelação que Dele provém é a fonte de nossa doutrina, nossa fé, nossos ensinamentos e, na realidade, o modelo sobre o qual nossa vida está alicerçada. Joseph Smith foi um instrumento nas mãos do Todo-Poderoso para levar a efeito esta Restauração, e o elemento essencial da revelação está na Igreja hoje assim como estava nos dias de Joseph.

O testemunho individual que temos dessas verdades é a base de nossa fé. Precisamos nutri-lo. Precisamos cultivá-lo. Não podemos jamais renunciar a ele. Não devemos jamais ignorá-lo. Sem ele não temos nada. Com ele temos tudo” (A Liahona, julho de 2001, p. 103).

Deixo com vocês meu testemunho da divindade do Salvador. Ele vive! Presto testemunho de que a realidade da Ressurreição, a importância da revelação e a confiabilidade da Restauração aumentarão sua fé no Senhor Jesus Cristo e ajudarão vocês a resistir a todas as tentações do diabo. Deixo com vocês meu testemunho, meu amor e, para esse fim, minha bênção, em nome de Jesus Cristo. Amém.

 
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