Abril 2005 | Os Frutos da Primeira Visão

    Os Frutos da Primeira Visão

    Abril 2005 Conferência Geral

    Considero Joseph Smith como uma dessas pessoas cujo testemunho de Cristo me ajudou a desenvolver o meu próprio testemunho do Salvador.

    Há apenas seis meses, vocês, membros fiéis da Igreja de Jesus Cristo, apoiaram-me como membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Esse chamado foi uma grande surpresa para muitos, mas especialmente para nossos netos, que disseram: “Mas ele é o nosso vovô! É apenas uma pessoa comum. Ele brincou conosco, costumava cortar o nosso cabelo!”

    Depois da conferência geral de outubro, minha mulher e eu conversamos com nossos filhos pelo telefone, e um de nossos netos disse: “Como estávamos tão longe e não podíamos estar com você em Salt Lake City, você ao menos podia ter acenado para nós quando estava fazendo o seu discurso na conferência”. Ainda não estivemos com nossos filhos e netos até esta conferência geral, portanto estou acenando hoje, na esperança de deixar um neto feliz. Também aceno para todos vocês, membros maravilhosos, cujas orações e amor são tão importantes e apreciados por minha mulher e eu.

    Quando eu estava crescendo na Alemanha, freqüentei a Igreja em muitos lugares e situações diferentes — em humildes salões nos fundos de uma casa, em mansões imponentes e em capelas modernas e muito funcionais. Todos esses edifícios tinham um importante fator em comum. O Espírito de Deus estava presente; o amor do Salvador podia ser sentido quando nos reuníamos como a família do ramo ou ala.

    A capela de Zwickau tinha um antigo órgão de foles. Todos os domingos, um rapaz era designado a ficar elevando e abaixando a manivela que movimentava os foles que faziam o órgão funcionar. Mesmo antes de eu ser portador do Sacerdócio Aarônico, tive muitas vezes o grande privilégio de ajudar naquela importante tarefa.

    Enquanto a congregação cantava os nossos amados hinos da Restauração, eu movimentava os foles com toda a força para que o órgão não parasse de funcionar. Os olhos do organista indicavam de modo inconfundível se eu estava fazendo um bom trabalho ou se precisava aumentar meu empenho rapidamente. Sempre me senti honrado com a importância daquele encargo e pela confiança que o organista tinha depositado em mim. Era um sentimento maravilhoso de realização ter uma responsabilidade e fazer parte desta grande obra.

    Havia um benefício adicional decorrente daquela designação: A pessoa que movimentava os foles se sentava num lugar que dava uma boa visão do vitral que embelezava a frente da capela. O vitral representava a Primeira Visão, com Joseph Smith ajoelhado no Bosque Sagrado, olhando para o céu e para a coluna de luz.

    Durante os hinos da congregação e até durante os discursos e testemunhos dos membros, eu freqüentemente ficava olhando para aquela ilustração de um dos momentos mais sagrados da história do mundo. Na minha mente, vi Joseph recebendo conhecimento, testemunho e instruções divinas ao tornar-se um instrumento abençoado nas mãos de nosso Pai Celestial.

    Eu sentia um espírito especial ao olhar para a bela cena no vitral, que mostrava, em um bosque sagrado, um menino de fé que tomou a corajosa decisão de orar sinceramente a nosso Pai Celestial, que o ouviu e respondeu com amor.

    Ali estava eu: um menino na Alemanha após a II Guerra Mundial, morando em uma cidade em ruí- nas, a milhares de quilômetros de Palmyra, na América do Norte e mais de cem anos depois do acontecido. Pelo poder universal do Espírito Santo, senti no coração e na mente que era verdade: que Joseph Smith vira Deus e Jesus Cristo e ouvira a voz Deles. O Espírito de Deus confortou minha alma em minha juventude com a certeza da realidade daquele sagrado momento, que resultou no início de um movimento mundial destinado a “[rolar] até encher toda a Terra”. (D&C 65:2) Acreditei no testemunho de Joseph Smith dessa gloriosa experiência no Bosque Sagrado, e sei disso ainda hoje. Deus falou novamente à humanidade.

    Relembrando, sinto-me muito grato pelos muitos amigos que me ajudaram em minha juventude a adquirir um testemunho da Igreja restaurada de Jesus Cristo. Primeiro, exerci a simples fé no testemunho deles, e depois, recebi um testemunho divino do Espírito em minha mente e em meu coração. Considero Joseph Smith como uma dessas pessoas cujo testemunho de Cristo me ajudou a desenvolver o meu próprio testemunho do Salvador. Antes de reconhecer a orientação do Espírito testificando para mim que Joseph Smith foi um profeta de Deus, meu jovem coração sentiu que ele era amigo de Deus e que, portanto, de modo muito natural, também era amigo meu. Eu sabia que podia confiar em Joseph Smith.

    As escrituras nos ensinam que são concedidos dons espirituais aos que pedem a Deus, que O amam e que guardam Seus mandamentos. (Ver D&C 46:9.) “Pois a todos não são dados todos os dons; pois há muitos dons e a cada homem é dado um dom pelo Espírito de Deus.

    A alguns é dado um, a outros é dado outro, para que desse modo todos sejam beneficiados.” (D&C 46:11–12)

    Hoje, sei que meu jovem testemunho foi imensamente beneficiado pelo testemunho do Profeta Joseph Smith e de muitos amigos da Igreja que sabiam “pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que foi crucificado pelos pecados do mundo”. (D&C 46:13) Seu bom exemplo, amor carinhoso e disposição para ajudar abençoaram-me para que eu recebesse outro dom especial do Espírito citado nas escrituras quando eu ansiava por mais luz e verdade: “A outros é dado crer nas palavras deles, para que tenham também vida eterna se permanecerem fiéis”. (D&C 46:14) Que dom maravilhoso e precioso é esse!

    Quando nos humilhamos verdadeiramente, somos abençoados com esse dom de ter fé e esperança nas coisas que não podemos ver mas que são verdadeiras. (Ver Alma 32:21.) À medida que colocarmos à prova as palavras que nos foram dadas nas escrituras e pelos profetas vivos — mesmo que tenhamos apenas o desejo de acreditar — se não resistirmos ao Espírito do Senhor, nossa alma se dilatará e nosso entendimento será iluminado. (Ver Alma 32:26–28.)

    O próprio Salvador explicou esse princípio misericordioso de modo bem claro para o mundo inteiro em Sua grande oração intercessora, feita não apenas por Seus Apóstolos mas por todos os santos, até por nós hoje em dia, não importa onde moremos. Ele disse:

    “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

    Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:20–21; grifo do autor)

    É assim que a Primeira Visão de Joseph Smith abençoa nossa vida pessoal, a vida de nossa família e, por fim, toda a humanidade: Passamos a acreditar em Jesus Cristo por meio do testemunho do Profeta Joseph Smith. Os profetas e apóstolos ao longo da história da humanidade tiveram manifestações divinas semelhantes às de Joseph. Moisés viu Deus face a face e aprendeu que era filho de Deus, “à semelhança de Seu Unigênito”. (Ver Moisés 1:1–6.) O Apóstolo Paulo testificou que Jesus Cristo ressurreto lhe apareceu na estrada para Damasco e fez dele um de Seus grandes missionários. (Ver Atos 26:9–23.) Ouvindo o testemunho de Paulo dessa visão celeste durante o julgamento em Cesaréia, o poderoso rei Agripa admitiu: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (Atos 26:28)

    E houve muitos outros profetas antigos que também prestaram um vigoroso testemunho de Cristo. Todas essas manifestações, antigas e modernas, conduzem os que crêem à única fonte divina de toda retidão e esperança, que é Deus, nosso Pai Celestial, e Seu Filho Jesus Cristo.

    Deus falou a Joseph Smith com o propósito de abençoar todos os filhos de Deus com Sua misericórdia e amor, mesmo em épocas de incertezas e inseguranças, de guerras e rumores de guerras, de desastres e calamidades naturais e pessoais. O Salvador disse: “Eis que meu braço de misericórdia está estendido para vós e aquele que vier, eu o receberei” (3 Néfi 9:14) e todos os que aceitam esse convite serão “envolvidos pela incomparável generosidade de seu amor”. (Alma 26:15)

    Por meio de nossa fé no testemunho pessoal do Profeta Joseph e na realidade da Primeira Visão, por meio do estudo e da oração fervorosa e sincera seremos abençoados com uma fé firme no Salvador do mundo, que falou a Joseph “na manhã de um belo e claro dia, no início da primavera de 1820”. (Joseph Smith — História 1:14)

    A fé em Jesus Cristo e o testemunho Dele e de Sua Expiação universal não são apenas uma doutrina de grande valor teológico. Essa fé é um dom universal, glorioso para todas as regiões culturais desta Terra, independentemente de língua, raça, cor, nacionalidade ou condições socioeconômicas. Os poderes da razão podem ser usados para tentar entender esse dom, mas aqueles que sentem seus efeitos de modo mais profundo são os que estão dispostos a aceitar suas bênçãos, que advêm de uma vida limpa e pura e de se seguir o caminho do verdadeiro arrependimento e da obediência aos mandamentos de Deus.

    Ao lembrarmos e honrarmos o Profeta Joseph Smith, meu coração se enche de gratidão a ele. Ele era um jovem bom, honesto, humilde, inteligente e corajoso, com um coração de ouro e uma fé inabalável em Deus. Tinha integridade. Em resposta a sua humilde oração, os céus se abriram de novo. Joseph Smith realmente teve uma visão. Ele sabia disso, e sabia que Deus também o sabia, e ele não podia negá-la. (Ver Joseph Smith — História 1:25.)

    Por meio de seu trabalho e sacrifício, tenho hoje uma verdadeira compreensão de nosso Pai Celestial e de Seu Filho, nosso Redentor e Salvador, Jesus Cristo, e sinto o poder do Espírito Santo e conheço o plano do Pai Celestial para nós, Seus filhos. Para mim, esses são verdadeiramente os frutos da Primeira Visão.

    Sinto-me grato por ter sido abençoado bem cedo em minha vida com uma fé simples de que Joseph Smith foi um profeta de Deus, que ele viu Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo em uma visão, e que traduziu o Livro de Mórmon pelo dom e poder de Deus. Esse testemunho foi confirmado para mim repetidas vezes.

    Como um dos menores dentre vocês, mas em meu chamado como um dos Apóstolos de Jesus Cristo, testifico que Ele realmente vive, que Ele é o Messias. Tenho realmente um testemunho pessoal de Jesus Cristo, o Salvador e Redentor de toda a humanidade. Recebi esse conhecimento pela paz inexprimível e pelo poder do Espírito de Deus. O desejo de meu coração e da minha mente é ser puro e fiel a serviço Dele agora e na eternidade.

    Isso testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.