História da Igreja
Capítulo adicional 2. Diligência dupla: Anabella Haight, Rachel Whittaker, Elizabeth Liston, irmã Morris e Alice Randle


“Capítulo adicional 2. Diligência dupla: Anabella Haight, Rachel Whittaker, Elizabeth Liston, irmã Morris e Alice Randle”, Ao Púlpito: 185 anos de discursos proferidos por mulheres santos dos últimos dias, 2017

“Capítulo adicional 2. Anabella Haight, Rachel Whittaker, Elizabeth Liston, irmã Morris e Alice Randle”, Ao Púlpito

Capítulo adicional 2

Diligência dupla

Sociedade Benevolente de Cedar City

Tabernáculo, Cedar City, Utah

8 de janeiro de 1857

A “Sociedade Benevolente” de Cedar City era muito semelhante às primeiras Sociedades de Socorro do início da década de 1850, empenhada em ajudar os pobres e necessitados locais e proporcionando a liderança para as mulheres e a oportunidade de prestar testemunhos.1 Em 27 de novembro de 1856, uma semana depois de ser chamada como presidente da sociedade, Lydia Hopkins disse que “queria que as irmãs dissessem o que poderiam fazer”.2 Nove das que estavam presentes responderam; havia realmente muitas coisas para as mulheres fazerem.3

A área de Cedar City, localizada no condado de Iron, originalmente fazia parte da Iron Mission, um assentamento estabelecido em 1850 para produzir ferro para o território. Localizado a cerca de 400 quilômetros ao sul de Salt Lake City, Cedar City foi fundada em 1851 e cresceu rapidamente com a chegada dos conversos das Ilhas Britânicas. Logo se tornou o maior assentamento na Iron Mission. Os colonos cultivaram plantações; construíram minas, estradas, cabanas, cercas e hidrovias; trabalharam com os índios americanos vizinhos; e estabeleceram escolas e alas locais.4 Em 1856, o presidente da estaca do condado de Iron, Isaac C. Haight, organizou uma sociedade de mulheres com uma presidente, duas conselheiras, secretária e tesoureira, seguindo o modelo da Sociedade de Socorro de Nauvoo. Na esperança de cuidar das famílias carentes espalhadas por todo o condado e com o desejo de usar as habilidades e os talentos das mulheres, Haight ensinou à sociedade “a necessidade de ajudar os pobres que se juntarão a nós”.5 Mais tarde, informou que “a organização desta sociedade era um experimento para testar os sentimentos da irmandade”, observando a responsabilidade das mulheres de ajudar a construir sua parte do reino, que teria incluído o assentamento, contribuindo assim para a Iron Mission.6 As mulheres responderam a esse chamado, oferecendo auxílio imediato aos necessitados e contribuindo prontamente com o tesouro da sociedade, demonstrando seu compromisso com práticas como o casamento plural e decidindo “duplicar [sua] diligência”, de acordo com a segunda conselheira Rachel Whittaker.7

A Sociedade de Socorro de Cedar City foi organizada durante a Reforma Mórmon, uma época em que os líderes da Igreja enfatizaram a renovação do compromisso e da obediência às práticas da Igreja, geralmente por meio de discursos entusiasmados.8 Como parte desse esforço, Haight observou que as mulheres de Cedar City tinham “uma poderosa influência no meio deste povo”.9 Seu conselheiro M. John Higbee disse às mulheres: “Esforcemo-nos e veremos se somos capazes de fazer uma reforma em nosso lar, aqui mesmo em Cedar City”.10 Em outra reunião, o bispo de Cedar City, Philip Klingensmith “falou bastante sobre a reforma e a necessidade de união de espírito”.11 Como resultado, os temas da reforma, obediência e unidade são encontrados ao longo dessas atas, assim como os esforços para fornecer o serviço e trabalho necessários para a comunidade local.

Até o dia 8 de janeiro, quando a quarta reunião da sociedade foi realizada, os líderes masculinos da Igreja presidiram e ensinaram nas reuniões da sociedade. Nessa reunião, enquanto Higbee participava e determinava o tom da reunião, as mulheres tratavam de assuntos e compartilhavam instrução religiosa sob a direção da primeira conselheira Annabella Haight, da segunda conselheira Rachel Whittaker e da tesoureira Alice Randle, como registrado pela secretária Ellen Whittaker Lunt.12 A reunião retrata o espírito de união das primeiras mulheres da Sociedade de Socorro; elas compartilhavam testemunhos e ao mesmo tempo trabalhavam para atender às necessidades locais. Em vez de apenas uma mulher fazer um discurso, uma prática de falar em público que poderia fazer com que muitas mulheres não se sentissem à vontade naquela época, cada uma contribuía com um debate cumulativo da Sociedade de Socorro.13

Essa organização acabou em 1859, provavelmente depois de a presidente Lydia Hopkins falecer. A Sociedade de Socorro oficial de Cedar City foi reorganizada em 14 de junho de 1868.14

Reuniu-se nos termos do adiamento de 8 de janeiro de 1857. Quinta-feira. Presidida por presidente John M. Higbee.15 Número musical. Oração oferecida pelo presidente Higbee. Número musical. Ata lida e aceita. O presidente Higbee então se levantou, fez algumas boas observações, deu bons conselhos às irmãs e disse: “Uma grande responsabilidade repousa sobre as irmãs. Vocês que moldam as mentes jovens e maleáveis; o exemplo é melhor do que o preceito. Ensine-as enquanto são jovens, e elas as chamarão de bem-aventuradas. Podemos falar o que quisermos, mas elas aprenderão pelo exemplo, e assim por diante”. Disse que qualquer pessoa que falasse ou fosse contra o casamento plural estava nas trevas.16 Não quero tomar seu tempo, irmãs, quero que vocês conduzam a reunião. Cantaram “Ó meu Pai”.17 A irmã Anabella Haight disse que sentia que tinha uma responsabilidade desde que a sociedade foi formada e deu um bom conselho às irmãs; disse que elas tinham visitado muitos pobres naquela região, no que se refere às coisas materiais, mas não tão pobres em espírito, e que manifestaram um bom espírito em geral. Ela desejava que as irmãs cumprissem seu dever e compartilhassem seus sentimentos. A irmã Haight disse que aquela era a primeira reunião do ano e que ela pretendia duplicar sua diligência e que prestaria testemunho sobre o que a irmã Haight havia dito, e que ela falou sobre os princípios do novo e eterno convênio em todos os lugares que foi, sem exceções, e que elas não conheciam nenhum membro que discordasse do princípio.18 A irmã Liston disse que sentiu que esta sociedade era de Deus, e ela se deleitava muito nela, e assim por diante.19 A irmã Morris prestou seu testemunho sobre o trabalho.20 A irmã Randle disse que o tesouro estava diminuindo e que precisavam de algumas roupas e lã para remendar meias, etc. Propôs e pediu apoio às seguintes irmãs que haviam se tornado membros daquela sociedade: Mary A. Savage, Sarah M. Willis, Susannah Perry e Naomi Howles. O apoio foi unânime.21 O presidente Higbee disse que esperava que as doações fossem levadas ao tesouro.22 Vocês não imaginam o quanto estão fazendo. Vocês têm feito liberalmente e Deus centuplicará suas bênçãos. Ele então perguntou se havia algum assunto em particular que precisava ser tratado, pois a irmã Hopkins estava ausente cuidando de um caso de doença. A irmã Haight respondeu e disse que não sabia de nenhum assunto, ela apenas gostaria de mencionar o caso do senhor Chatterley que estava dormindo no chão porque sua cama havia sido queimada.23 Ela disse que era nosso dever encontrar uma cama para ele. A irmã Hannah Fife disse que acharia um colchão e a irmã Mary McConnell um travesseiro de penas.24 Algumas irmãs prestaram seu testemunho, e então o irmão Higbee disse que não seria sábio estender a reunião por mais tempo, pois o dia estava muito frio.

  1. Richard L. Jensen, “Forgotten Relief Societies, 1844–67” [Sociedades de Socorro esquecidas], Dialogue: A Journal of Mormon Thought [Diálogo: Um Diário de Pensamentos Mórmons] 16, nº 1, Primavera de 1983, pp. 105–125; Ala Cedar City, Estaca Parowan, Livro de Atas da Sociedade de Socorro, 1856–1875 e 1892, 3 e 11 de dezembro de 1856, pp. 4–6, Biblioteca de História da Igreja. Para trechos adicionais das Atas da Sociedade Benevolente de Cedar City, ver Jill Mulvay Derr, Carol Cornwall Madsen, Kate Holbrook e Matthew J. Grow, eds., The First Fifty Years of Relief Society: Key Documents in Latter-day Saint Women’s History [Os Primeiros Cinquenta Anos da Sociedade de Socorro: Documentos-Chave na História das Mulheres Santos dos Últimos Dias], Salt Lake City: Editora do Historiador da Igreja, 2016, pp. 227–234.

  2. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 27 de novembro de 1856, p. 3. De acordo com Isaac C. Haight, Lydia Okie Van Dyke Hopkins “era um membro fiel e era muito respeitada por todos” (Isaac C. Haight para George A. Smith, 17 de outubro de 1859, George A. Smith Papers, Biblioteca de História da Igreja).

  3. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 27 de novembro de 1856, p. 3.

  4. Janet Burton Seegmiller, A History of Iron County: Community Above Self [Uma História do Condado de Ferro], Salt Lake City: Utah State Historical Society, 1998, pp. 45, 51, 57–58.

  5. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 20 de novembro de 1856, p. 2.

  6. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 4 de fevereiro de 1857, p. 8.

  7. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 8 de janeiro de 1857, p. 7. Rachel Taylor Whittaker (1808–1876) serviu como segunda conselheira na Sociedade de Socorro de Cedar City, depois serviu como presidente a partir de 1868, quando a sociedade foi reorganizada, até 1875 (“Obituary” [Obituário], Woman’s Exponent 5, nº 10, 15 de outubro de 1876, p. 77).

  8. De 1856 a 1857, os líderes mórmons incentivaram os membros a se arrependerem de seus pecados e a serem rebatizados para demonstrar dignidade e compromisso individual (ver Paul H. Peterson, The Mormon Reformation [A Reforma Mórmon], Dissertations in Latter-day Saint History [Dissertações sobre a História da Igreja], Provo, UT: Joseph Fielding Smith Institute for Latter-day Saint History; BYU Studies, 2002, pp. 1, 49–51).

  9. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 20 de novembro de 1856, p. 1.

  10. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 3 de dezembro de 1856, p. 4.

  11. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 11 de dezembro de 1856, p. 5.

  12. Annabella Sinclair McFarlane Haight (1812–1888) foi a primeira conselheira na Sociedade Benevolente de Cedar City de 1856 até depois de sua reorganização em 1875. Ela era da Escócia e foi uma das esposas de Isaac C. Haight. Alice Cattell Randle (1818–1871) veio da Inglaterra para os Estados Unidos em 1852. Ellen Whittaker Lunt (1830–1903) era filha da segunda conselheira, Rachel Taylor Whittaker. Como secretária, ela fez os registros das atas da Sociedade de Socorro de Cedar City por 35 anos. Ela foi chamada como presidente da Sociedade de Socorro da estaca em 1879 (“Obituaries” [Obituários], Woman’s Exponent 16, nº 19, 1º de março de 1888, p. 152; Derr e outros, First Fifty Years [Primeiros Cinquenta Anos], pp. 646, 658, 666–667).

  13. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 9 de abril de 1857, p. 10.

  14. Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 14 de junho de 1868, p. 33.

  15. John M. Higbee foi o primeiro conselheiro do presidente da estaca do condado de Iron, Isaac C. Haight.

  16. Pluralidade se refere ao princípio do casamento plural ou poligamia.

  17. Este poema de Eliza R. Snow foi incluído no hinário de 1851. O hino descrevia a união eterna do homem e da mulher e foi cantado com frequência nas reuniões da Sociedade de Socorro, bem como em outras reuniões da Igreja (Derr e outros, First Fifty Years [Primeiros Cinquenta Anos], p. 172; Jill Mulvay Derr, “The Significance of ‘O My Father’ in the Personal Journey of Eliza R. Snow” [O Significado de ‘Ó meu Pai’ na Jornada Pessoal de Eliza R. Snow], BYU Studies 36, nº 1, 1996–1997, pp. 85–126).

  18. Termos comuns relacionados à prática do casamento plural naquela época eram “o princípio” e “o novo e eterno convênio” (“O casamento plural em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, acesso em 11 de dezembro de 2015, LDS.org).

  19. Elizabeth Reeves Liston (1829–1892) era de Ohio. Ela ensinava em escolas em Cedar City e trabalhava como enfermeira. Ela se filiou à Sociedade de Socorro de Cedar City na primeira reunião em 20 de novembro de 1856. Ela se mudou mais ao sul, para Santa Clara, condado de Washington, no outono de 1858 (Ovilla Rosaltha Liston Empey, “Elizabeth Reeves Liston”, em Lisa L. Martin Family Biographies Collection, pp. 1–2, Biblioteca de História da Igreja; Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 20 de novembro de 1856, p. 2).

  20. Essa poderia ser Mary Lois Walker Morris (1835–1919) ou Barbara Thomas Morris (1793–1866), membros da Sociedade Benevolente de Cedar City (ver “Names of Members in the Female Benevolent Society” [Nomes de Membros da Sociedade Benevolente Feminina], Livro de Atas da Ala Cedar City [contracapa], Biblioteca de História da Igreja; “Mary Lois Walker Morris” e “Barbara Thomas Morris”, The First Fifty Years of Relief Society [Os Primeiros Cinquenta Anos da Sociedade de Socorro], “People” [Povo], acesso em 2 de agosto de 2016, churchhistorianspress.org).

  21. Mary Abigail White Savage, Sarah Melissa Dodge Willis, Susannah Ward Perry, Naomi Howler. A prática do voto de apoio dos membros teve início em Nauvoo (ver Derr e outros, First Fifty Years, p. 30).

  22. A tesoureira forneceu um relatório na reunião seguinte (Livro de Atas da Sociedade de Socorro da Ala Cedar City, 4 de fevereiro de 1857, p. 8).

  23. Esse poderia ser John Bourne Chatterley, que morava em Cedar City nesse período (“Died” [Faleceu], Deseret News, 26 de novembro de 1862; John Chatterly, Censo de 1856, Cedar City, Iron Co., UT).

  24. Hannah Barrow Fife e Mary Webb McConnell.